quarta-feira, 30 de abril de 2014

Legalização dos Documentos no Consulado - Etapa Final no Brasil

Pesquisando na internet percebi que relatos sobre a etapa de legalização dos documentos no Consulado carece de informações realistas e vou passar ponto a ponto tudo através da minha experiência nesse post.

Primeiro que marcar o agendamento foi umas das tarefas mais complicadas que você vão saber porquê, mandei minha primeira mensagem para o e-mail do site vfsglobal no dia 26 de setembro de 2013 e somente consegui marcar o meu agendamento no dia 29 de abril de 2014, depois do envio de mais de 50 e-mail em um único dia, pois alegaram que marcaram uma data e que eu não tinha ido, só que marcaram a data e esqueceram de me avisar. Daí enviei vários e-mails solicitando a comprovação que tinham me enviado o tal e-mail, depois de muitos e-mails resolveram marcar uma data.

Pois bem, com a data do agendamento na mão, fiz um check list com todos os documentos necessários para a legalização no consulado da Itália no Rio de Janeiro através do site abaixo:

http://www.consriodejaneiro.esteri.it/Templates/PaginaIntermedia.aspx?NRMODE=Published&NRNODEGUID=%7b9AC61AAC-A762-4FCC-B179-FE178205BB36%7d&NRORIGINALURL=%2fConsolato_RioDeJaneiro%2fMenu%2fI_Servizi%2fPer_i_cittadini%2fTraduzione%2be%2blegalizzazione%2bdi%2bdocumenti%2f&NRCACHEHINT=NoModifyGuest

As exigências para o Consulado no Rio de Janeiro são:

Validade do documento:
  • Certidões de Nascimento e/ou Morte não têm vencimento
  • Outras Certidões (casamento, etc....) têm validade de 6 meses
  • Certidões de Antecedentes criminais e Não Naturalização são válidas somente por 90 dias (conforme indicado no próprio documento) 
1)   A documentação deverá ser apresentada pessoalmente pelos interessados. Caso o interessado não possa comparecer, a legalização deverá ser solicitada por um parente especialmente autorizado para tal fim. A autorização deverá ter a firma do outorgante reconhecida em “Cartório” da circunscrição (estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo) ou, caso o outorgante resida legalmente na Itália, a firma será reconhecida junto ao “Comune”, ou a um “Notaio”, ou a outra entidade pública. Esta mesma autorização poderá também ser redigida em português e ter a firma do interessado autenticada junto a uma Representação Consular brasileira na Itália. Caso o requerente não possua parentes residente no Brasil, poderá ser assistido por um advogado regularmente inscrito na O.A.B. com procuração específica como acima descrito.Não serão aceitas solicitações de serviços consulares efetuadas por despachantes ou por terceiros que não sejam comprovadamente parentes dos interessados.2)      O interessado, ou seu procurador,  deverá apresentar os seguintes documentos:
  • original do documento a ser legalizado (ou 2ª via em original) de emissão recente, com a firma  reconhecida em um “Cartório” da circunscrição ou no ERERIO (Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores, localizado na Rua Marechal Floriano, n. 196 – Centro).
  • tradução em italiano  do documento acima, efetuada  por Tradutor Público Juramentado. Veja as listas para o Rio de Janeiro (Tradutores publicos juramentados Rio de Janeiro) e Espirito Santo (Tradutores publicos juramentados Espirito Santo) também à disposição no Setor URP deste Consulado). A tradução pode ser solicitada também no Istituto Italiano di Cultura (4º andar desta sede). O Consulado não se responsabiliza pela autenticidade dos documentos brasileiros nem pelo conteudo das traduções, limitando-se ao reconhecimento das assinaturas do funcionário do “Cartório” e as do Tradutor, respectivamente.Os documentos obtidos por download pela internet serão aceitos somente se estiverem reconhecidos como  autênticos” pelo ERERIO.
  • comprovante de residência na Circunscrição Consular (Estado do Rio  de Janeiro e Espirito Santo) no nome do requerente:. Os comprovante são os seguintes:  “Certidão emitida pelo Tribunal Regional Eleitoral” no qual conste o endereço residencial do requerente, bem como a data de inscrição (que não pode ser inferior a um ano); cópia da última Declaração de Imposto de Renda (caso seja baixada pela Internet, somente será aceita se tiver a validação do ERERIO).
Em caso de dúvidas o Consulado reserva-se o direito de solicitar outros documentos para efeitos de  comprovação da residência.
3)     O pagamento das taxas consulares referentes à legalização dos documentos deverá ser efetuado em espécime, no ato da solicitação, diretamente ao funcionário encarregado. Nesta oportunidade será fornecido um recibo no qual constará a data de entrega da documentação. Não são aceitos cheques, nem cartões de crédito.No caso em que o requerente seja legalmente residente na Italia (ou em outro Pais estrangeiro), o seu procurador deverá tambem apresentar, além da certidão do T.R.E., cópia de um comprovante de residência do requerente emitido por um Orgão oficial da  Itália (o de outro Estado), ou seja: “Permesso di Soggiorno” válido, ou “Carta di Identità” ou “Certificato di Residenza” (os ultimos dois documentos são ambos emitidos pelo Comune italiano onde o requerente reside legalmente).

Os dados acima são vitais para o check list, inclusive uma informação muito importante é com relação a firma reconhecida do cartório, não necessitando do reconhecimento do ERERIO mas para documentos de outros Estados, como foi o meu caso, onde tinha documentos de Minas, peguei e fiz o reconhecimento da firma do cartório de Minas e também fui no ERERIO fazer o segundo reconhecimento.

A Dica que dou é procurar cartórios do Centro do Rio de Janeiro para fazer o reconhecimento da firma para cartórios de outros Estados.

Depois de tudo isso fiz as traduções com um excelente profissional tradutor juramentado e quem quiser, posso passar o contato, ele cumpre todos os prazos.

No dia 29 de abril, estava na fila com 15 minutos de antecedência e para minha surpresa peguei uma fila em um sol daqueles do Rio de Janeiro, minha mãe e meu tio foram juntos comigo e sofremos todos juntos naquela fila e isso porquê tínhamos um horário marcado mas tudo bem, vamos encarar a fila de bom humor, afinal os documentos estão todos certos e não temos do que reclamar.

Chegou nossa vez e subimos para o andar das legalizações, chegando no guichê o atendente viu que tínhamos bastante documento e começou falando que não poderia incluir meu tio e nem meu irmão naquela etapa da legalização e aí a coisa começou a pegar, falei que meu processo era por via materna e ele pensando que era para fazer o processo na Itália para fazer o tal do Vigilío e falei que iríamos fazer o processo por via materna através de um processo no Tribunal de Roma, enfim ficamos num impasse de uns 15 minutos e eu já estressado com toda aquela situação.

O atendente viu que estava seguro em minha posição e não sairia dali sem entregar minha documentação conforme meu planejamento, dali ele chamou seu supervisor Italiano e que entendeu tudo o que eu queria, inclusive elogiei a postura do supervisor, pois meu processo era por via materna e não como o atendente tinha pensado. 

Depois de toda essa situação, entreguei minha documentação e o atendente me deu prazo de 20 dias para legalizar os documentos e disse que quando estivesse pronto entraria em contato e pagaria um boleto no dia que fosse pegar a documentação.

Enfim espero que esse relato possa ajudar alguém que esteja nessa situação e mesmo para aqueles que estejam no começo, pois fatalmente uma hora vai chegar nessa etapa e se prepare pois é uma das etapas mais complicadas, senão a mais complicada de todo processo para cidadania italiana, ainda mais se você for como eu e quiser fazer tudo sozinho.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma empresa que vale a pena conhecer - Patagônia

Hoje vi na Globonews uma matéria sobre uma empresa que fiquei apaixonado, se chama Patagônia e é diferente da maioria das empresas que pensa exclusivamente no lucro, ao contrário os produtos são feitos para durarem bastante tempo, fazem ajustes nos produtos com desgaste pelo tempo e reciclam todo material. 

Tudo é com foco no orgânico, até as instalações da empresa tem esse princípio e é um dos casos mais interessantes tanto de resultado como de desenvolvimento sustentável, vale muito a pena dar uma olha no material abaixo, pois o cara que fundou essa empresa merece todo meu respeito e certamente quem ler vai gostar da matéria.

fonte: http://www.nicholasgimenes.com.br/2009/07/sustentabilidade-nao-existe-yvon.html

Logo que comecei a ler sobre Yvon Chouinard, eu sabia que se tornaria um dos meus maiores ídolos.

Yvon Chouinard
Eu conheci a empresa dele, a Patagonia, por conta da escalada e dos equipamentos de camping. Mas no livro da Anita Roddick foi onde eu soube que se tratava de uma empresa diferenciada.

Desde os 18 anos ele escalava os paredões no Yosemite, e fez as primeiras ascensões de algumas das vias mais difíceis do mundo. Como empresário, no alto dos seus 71 anos, seus feitos são ainda maiores.

Seu negócio começou com a necessidade de fazer e melhorar os próprios equipamentos de escalada. Logo os amigos começaram a fazer encomendas, a demanda cresceu, outros amigos passaram a ajudá-lo e todo o dinheiro era usado para financiar suas aventuras.

Como o objetivo de ninguém ali era ser megamilionário, eles se permitiam sair do trabalho mais cedo e ir surfar, esquiar, escalar. Ao invés da obssessão de reduzir custos e produzir mais, procuravam melhorar seus produtos e fizeram importantes inovações, levando a escalada para outros níveis de possibilidade.

Por serem fanáticos por esportes da natureza, eram engajados em causas ambientais, buscavam reduzir o impacto de seus produtos e conscientizar outras empresas.

A parte de assumir riscos controlados, espírito de equipe, falar com franqueza e tomar decisões também nunca foi um problema, afinal, esses são fatores de vida ou morte em seus "hobbies".

Hoje a empresa cresceu muito, está com mais de 1.000 funcionários em vários países do mundo e possui faturamento anual acima de 230 milhões de dólares. O foco atual é a parte de vestuário, a unidade de escalada constituiu uma empresa à parte, a Black Diamond, e pelo que eu percebi, é a marca mais respeitada entre escaladores.

A Patagonia é um dos maiores sucessos da indústria de esportes outdoor, e o + SURPREENDENTE: sem vender a alma. Continua com a mesma cultura de quando era composta pelo velho grupo de amigos.

Apesar de receber uma oferta de meio bilhão de dólares, Yvon e sua esposa Malinda, continuam como únicos sócios da empresa e detém controle total, podendo expandí-la em um ritmo saudável e sem pressões de acionistas.

Livro Let My People Go Surfing - Yvon ChouinardAlém da doações que sua empresa, fundou aOne Percent for the Earth, uma aliança de empresas que doam 1% das suas receitas às causas ambientais. Está com mais de mil membros (entre eles gigantes como a Sony) e já arrecadou 42 milhões de dólares para cerca 1.500 ONGs do mundo todo.

Toda sua história, da sua empresa e sua visão sobre administração estão no livro Let My People Go Surfing: The Education of a Reluctant Businessman lançado por ele em 2005, e que SEM DÚVIDA está na minha lista de "ver antes de apodrecer" ;)

E se a Patagônia tivesse cedido ao senso comum de mercado: cortar custos, expandir, abrir capital bla bla bla teria sido melhor? Teria conquistado tantos clientes fiéis, funcionários apaixonados e realizado tanto pela causa ambiental sem deixar de lucrar? Claro que não.

Empresas como PatagôniaThe Body Shop e Grupo Grameen, PROVAM que com Inteligência e Integridade é possível criar um ambiente de trabalho mais HUMANO, LIVRE, JUSTO e FINANCEIRAMENTE FORTE, do que os concorrentes que caem na selvageria do just business.


Veja abaixo os melhores trechos do que li sobre ele:

Yvon Chouinard
Nenhuma criança sonha ser um homem de negócios [...]

Sou um homem de negócios há quase 50 anos. É para mim tão difícil pronunciar estas palavras quanto para alguém admitir que é um alcoólatra ou advogado [...]

Eu nunca respeitei a profissão. Os negócios têm de admitir a maior parte da culpa por serem inimigos da natureza, por destruírem culturas dos nativos, por tirarem dos pobres e darem aos ricos e por envenenarem a terra com os efluentes de suas fábricas.

Ao mesmo tempo, negócios podem produzir comida, curar doenças, controlar populações, empregar pessoas e, em geral, enriquecer nossa vida. E podem fazer essas coisas boas e gerar lucro sem vender sua alma.
Já que eu nunca quis ser um homem de negócios, precisava de umas poucas e boas razões para ser um. Uma coisa que eu não queria mudar, mesmo que as coisas ficassem sérias: o trabalho deveria ser prazeroso todos os dias. Todos nós tínhamos de ir trabalhar felizes, e subir as escadas de dois em dois degraus.

Deveríamos estar rodeados de amigos que pudessem se vestir como quisessem, até ficar descalços. Todos nós precisávamos de horários flexíveis para surfar quando o mar estivesse bom, esquiar depois de uma grande tempestade de neve ou ficar em casa para cuidar de um filho doente.

Precisávamos apagar a distinção entre trabalho, diversão e família. Quebrar as regras e criar meu próprio sistema de trabalho é a parte do gerenciamento que me traz maior satisfação. Mas eu não mergulho de cabeça antes de fazer a minha lição de casa.
Quando a Patagonia estava realmente começando a caminhar com as próprias pernas, eu li todos os livros sobre negócios que consegui encontrar, em busca de uma filosofia que servisse para nós.
A única razão pela qual ainda não havíamos vendido a empresa e nos aposentado era que estávamos pessimistas em relação ao destino do mundo, e que sentíamos a responsabilidade de usar nossos recursos para ajudar.
A prática de esportes de risco também havia me ensinado outra importante lição: nunca passe dos limites. Você pode empurrar os limites, viver para os momentos em que está à beira do abismo, mas nunca se jogue.

Você tem que ser sincero consigo mesmo; deve conhecer suas forças e limitações e viver do seu jeito. Essa verdade é a mesma nos negócios. Quanto mais rápido uma empresa tenta ser o que não é - tenta "ter tudo" - mais rápido ela vai morrer.
Não existe diferença entre o pessimista que diz "Ah não tem jeito, nem adianta fazer nada" e o otimista que diz "Não precisa fazer nada, vai dar tudo certo". Em ambos os casos, nada acontece.
Nós nos perguntamos que porque estávamos no negócio e em que tipo de empresa queríamos que a Patagonia fosse. Uma empresa de 1 bilhão de dólares? Tudo bem, mas não se tivermos que fazer produtos dos quais não nos orgulhamos.

E discutimos o que poderíamos fazer sobre o impacto ambiental que causávamos como empresa. Falamos sobre nossos valores em comum, e sobre a cultura que trouxe todos para a Patagônia, e não para outra empresa.
Executivos que concentram nos lucros, vendem as empresas quando entram num buraco. Para mim, lucro é o que acontece quando fazemos certo todo o resto.
Por quem os executivos são responsáveis? Pelos clientes? Acionistas? Funcionários? Por nenhum desses. Executivos são responsáveis por sua base de recursos. Sem um ambiente saudável não existem acionistas, funcionários, clientes e nenhuma empresa.
Não produzimos Kits de Relações públicas ou festas em shows comerciais. Acreditamos que o melhor jeito de conseguir publicidade é dizer algo importante de ser dito.
Em muitas companhias, o rabo (financeiro) é quem abana o cachorro (decisões corporativas).
Queremos que nossos clientes precisem de nossos produtos, não apenas desejem. É claro que também queremos - e precisamos - ganhar dinheiro, mas acreditamos que isso é mais bem cumprido permanecendo ágil e eficiente.


Um dos nossos objetivos foi não fazer dívidas. Uma empresa com poucas dívidas, ou com "dinheiro no porquinho", pode aproveitar oportunidades à medida que elas aparecem ou investir num começo sem ter que contrair mais dívidas ou procurar investidores de fora.
Na verdade, nossos funcionários são tão independentes, nos disseram alguns psicólogos, que seriam considerados não empregáveis em uma empresa típica. Nós não queremos zumbis que apenas seguem instruções.

Queremos o tipo de funcionário que irá questionar a sabedoria de alguma coisa que julga ser uma decisão ruim e, uma vez que se convença de alguma coisa, vai dar o sangue para produzir artigos da melhor qualidade possível - sejam eles camisetas, catálogos, displays de vitrine ou um programa de computador.

Como você faz com que essas pessoas tão individualistas se alinhem e trabalhem por uma causa comum é a arte do gerenciamento na Patagonia.
Não temos escritórios privados, e todos trabalham em salas abertas sem portas ou separações. O que perdemos em "espaço silencioso para pensar" é mais do que compensado por melhoria na comunicação e atmosfera igualitária.

Gerentes tentam liderar pelo exemplo. Não temos vagas reservadas no estacionamento: as melhores vagas são reservadas para carros de baixo consumo, independentemente de quem os possui.

Malinda e eu pagamos nosso almoço na lanchonete, assim não enviamos a mensagem de que está tudo bem em tirar dinheiro da empresa.

E temos uma política de livro aberto, com os detalhes financeiros disponíveis para todos os funcionários, para promover transparência completa.
Apesar dos desafios envolvidos, descobrimos que toda vez que escolhemos fazer a coisa certa, mesmo que custe o dobro, ela se mostra mais lucrativa. Isso reforça minha confiança de que estamos no caminho certo.
Se você quer mudar o governo, você tem que mudar as corporações, e para isso precisará mudar os consumidores. Opa, o consumidor? Ué, sou eu. Sou eu que tenho que mudar.
A definição original de consumidor é "aquele que destrói ou gasta pelo uso, devora, desperdiça". São necessários 7 planetas Terra para prover matéria-prima se o resto do mundo consumir como os americanos.
Um dos maiores desafios que eu tenho é combater a complacência.
O sonho americano é ter seu próprio negócio e expandí-lo tão rápido quanto possível enquanto você guarda dinheiro e curte a aposentadoria nos cursos de golf. Não importa se você está vendendo shampoo ou minas terrestres.

Quando a empresa se torna um bezerro gordo, é vendida por lucro, e seus recursos e holdings são devastadas ou deixadas de lado, quebrando laços familiares e a saúde das economias locais. A noção de empresas como entidades descartáveis inclui todos os outros elementos da sociedade.
A empresas públicas não podem fazer nada - estão nas mãos dos acionistas. Patagonia é uma empresa privada, os únicos acionistas sou eu e minha esposa, então podemos fazer tudo que quisermos.
Um samurai não pode ter medo de morrer, qualquer vacilo, ele tem sua cabeça cortada. Eu não tenho medo de perder essa empresa.
A missão da Patagônia é "usar o mundo dos negócios para inspirar e implementar soluções para a crise ambiental"
Viajar é minha forma de auto-educação. Em todo riacho que eu pesco, agora não é tão bom quanto costumava ser. Se você ficar de olhos abertos enquanto viaja, vai perceber que estamos destruindo o planeta. Eu sou muito pessimista em relação a isso.

Durante toda minha vida não vi nada além de constante deterioração de todos os processos que são essenciais à manutenção de uma vida saudável no planeta Terra.

A maior parte dos cientistas e pensadores do campo ambiental que conheço pessoalmente também é pessimista e acredita que estejamos experimentando uma extinção da espécie extremamente acelerada - inclusive, possivelmente, a maior parte da raça humana
Eu criei uma empresa sem precisar realmente. Nunca quis ser um empresário, eu era artesão e bom em trabalhar com minhas mãos.
Patagonia existe para pôr em prática todas as coisas que pessoas inteligentes estão dizendo para fazermos, não apenas para salvar o planeta, mas para salvar também a economia.
Se você vai até as causas reais, muito dos maiores problemas da sociedade existem porque estamos destruindo o planeta [...]

O pentágono diz que as "novas guerras" serão as "guerras por recursos naturais". Estamos muito distantes de uma socieade sustentável [...]

Ficar dando dinheiro para resolver os sintomas não resolverá os problemas.
Temos que acabar com essa idéia de que é Filantropia. Para mim é custo empresarial. Toda empresa deveria dizer "somos poluidores, estamos usando fontes não-renováveis, devemos nos cobrar isso"
É bom para os negócios. Pense como um custo de marketing [...] "Ok, você vende vinhos por $10. Cobre $10,10. Ninguém deixará de comprar seu vinho porque custa por causa de $0,10. Na verdade, você pode adicionar só $0,6 pois 40% das doações você pode abater impostos".

Se em um posto de gasolina o frentista diz "obrigado por abastecer, 6 centavos irão para o meio-ambiente, aposto que muita gente mudaria seu caminho para pôr esta gasolina"
Eu acredito que o modelo aceito de capitalismo que demanda crescimento infinito é o culpado pela destruição da natureza e deve ser substituído. Fracassando isso, eu tento trabalhar com as empresas e ajudá-las a mudar seus pensamentos sobre nossos recursos naturais.
A Wal-mart me perguntou qual é a coisa mais importante que eles poderiam fazer, e eu disse "Assuma a responsabilidade pelo seu produto, do nascimento ao fim".
Temos que acabar com essa idéia de consumir-descartar.
Não existe Sustentabilidade, existem apenas níveis. É um processo, um caminho que você trilha e tenta - todos os dias - fazê-lo melhor.
Yvon Chouinard

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Dicas de Viagem para Buenos Aires

Outubro passado fui para Buenos Aires e encontrei  hoje os registros de dicas que fiz e que utilizei na minha viagem e que deu super certo e que espero que seja útil para quem for para lá.

1 - Guia Oleo, nesse site você se registra e consegue cupom de graça com descontos que podem ultrapassar os 40% e em excelentes restaurantes como o La Cabrera Norte e a dica é apresentar o cupom antes de entrar no restaurante.

O site é http://www.guiaoleo.com.ar/

2 - Temaiken - Na terça, o ingresso para esse parque muito legal é a metade do preço e para chegar nesse parque, que fica no distrito de Escobar, a melhor forma é pegar um ônibus frescão que sai da Plaza Itália no Parlemo no guichê da Chevallier.

3 - Para ir no Zoo de Lujan, o ideal é pegar uma van que sai de um subterrâneo próximo do Obelisco no centro de Buenos Aires, o valor é muito baixo e você vai direto e com conforto para o Zoo e o ideal é comprar e reservar logo a volta.

4 - Restaurantes que fui e aprovo são: La Cabrera  Norte, Las Lilas no Puerto Madero, Fervor na Recoleta e o excelente La Brigada em San Telmo.


domingo, 13 de abril de 2014

Amadeo Pietro Giannini

Estava lendo o livro 1929 do Ivan Sant´Anna, que é muito bom e recomendo por retratar de forma realista e com personalidades da época, toda a situação antes, durante e posterior ao grande ´´crash´´ de 1929.

Dentre as figuras mais interessantes, a que me chamou mais atenção, até pelo meu desconhecimento e por ser italiano, foi a figura de Amadeo Pietro Giannini (Itálo-Americano) que criou do nada um dos maiores bancos do Planeta e que alertou sobre toda a especulação e bolha do sistema financeiro americano em 1928 e logicamente foi zombado por todos por essas declarações antes da maior crise financeira do Planeta.

Os alertas inclusive foram registrados de forma oficial na mídia e para todos os clientes, ele inclusive recomendou que suas ações estavam sobrevalorizadas e que a situação recomendava preocupação.

Abaixo um pouco de sua história e da criação do Banco da Itália que depois virou Banco da América.

AP Giannini foi o primeiro filho de Luigi e Virginia Giannini . Luigi Giannini imigrou para os Estados Unidos a partir de Favale di Malvaro perto de Gênova , Liguria no Reino da Sardenha (mais tarde parte da Itália ) para a prospecção na California Gold Rush de 1848-1855 . Luigi continuou em ouro durante a década de 1860 e voltou para a Itália em 1869 para casar-se com Virginia , trazendo-a de volta para os EUA e estabelecendo-se em San Jose. Luigi Giannini comprado uma fazenda de 40 acres em Alviso em 1872 e cresceu frutas e legumes para a venda. Quatro anos depois, Luigi Giannini foi morto a tiros por um funcionário devido a uma disputa salarial . Virginia ( viúva aos 21 anos de idade , com dois filhos e grávida do terceiro filho ) assumiu a operação do negócio de produtos , elevando o Amadeo adolescente para o negócio. Virginia casou-se com Lorenzo Scatena , em 1880 , que começou L. Scatena & Co. (que AP Giannini acabaria por assumir ) . Amadeo assistiu Heald College e na idade de 13 percebeu que poderia fazer melhor no mundo dos negócios do que na escola . Ele saiu e tomou uma posição de tempo integral como um corretor de produtos para L. Scatena & Co.

Ele começou no negócio como um corretor de produto, comissão comerciante e distribuidor de produtos para fazendas no Vale de Santa Clara. Ele foi extremamente bem sucedido nesse negócio , casado Clorinda Cuneo , filha de um magnata North Beach imobiliário em 1892 e, eventualmente, vendeu sua participação para seus empregados e aposentados com a idade de 31 para administrar seu pai -de-lei de propriedade . Mais tarde, ele se tornou diretor da Columbus Savings & Loan em que seu pai -de-lei de propriedade interesse . Na época , os bancos foram executados para o benefício dos ricos e bem relacionados . Giannini observa uma oportunidade de servir a população imigrante crescente que estavam sem um banco. Em desacordo com os outros diretores que não compartilham seu sentimento, ele deixou o conselho em frustração e começou o seu próprio banco.

Ele fundou o Banco da Itália em San Francisco em 17 de outubro de 1904. O banco foi alojado em um salão convertido como uma instituição para o " amiguinho " . Era um novo banco para os imigrantes que trabalham duro demais bancos não servem. Ele ofereceu aos clientes de contas de poupança e empréstimos ignorados , julgando-os não pela sua riqueza, mas pelo seu caráter.

Depósitos no primeiro dia somaram 8.780 dólares . [2] Dentro de um ano , os depósitos subiram acima de US $ 700.000 ( $ 13,5 milhões no 2.002 dólares ) . O terremoto de 1906 em San Francisco e incêndios destruiu a maior parte da cidade. Diante da devastação generalizada , Giannini criou um banco temporário , a coleta de depósitos , fazer empréstimos , e proclamando que o San Francisco que renascer das cinzas .

Imediatamente após o terremoto , mudou-se o dinheiro do cofre de sua casa fora da zona de fogo em seguida -rural San Mateo, de 18 quilômetros a cavalo e carroça. O dinheiro foi transferido em um vagão de lixo , de propriedade de Hayward residente Giobatta Cepollina , também natural da Itália ( Loano ) . A carga estava disfarçada sob o lixo para proteger contra roubo. Os incêndios aquecido severamente os cofres de outros grandes bancos. Abrindo -los imediatamente arruinaria o dinheiro , então eles foram mantidos fechados por semanas. Devido a isso, Giannini foi um dos poucos que foi capaz de fornecer empréstimos. Giannini passou a banco de uma prancha em dois barris na rua. Giannini fez empréstimos em um aperto de mão para os interessados ​​em reconstrução. Anos mais tarde, ele iria contar que cada empréstimo foi reembolsado. Como mais uma prova da confiança Giannini recebeu na comunidade local, como uma recompensa para o homem do lixo local para ajudar a transportar as reservas do banco , Giannini concordou em dar o filho do homem o seu primeiro trabalho com o banco quando ele veio de idade . Giannini manteve sua promessa , a contratação de jovem Frank Joseph Cepollina aos 14 anos. Cepollina mais tarde se aposentou do banco aos 41 anos . [3]

Em 1916 , Giannini se expandiu e abriu vários outros ramos. Giannini acreditava no ramo bancário como forma de estabilizar os bancos durante os tempos difíceis , bem como ampliar a base de capital. Ele comprou os bancos em toda a Califórnia e , eventualmente, teve mais de quinhentas filiais em todo o estado .

Em 1928, Giannini aproximou Orra E. Monnette , presidente e presidente do Bank of America, Los Angeles, sobre a fusão das duas instituições financeiras . Após a finalização da fusão, Giannini e Monnette concordou que o nome do Bank of America idealizado a missão mais ampla do novo banco. A nova instituição continuou sob a presidência de Giannini até sua aposentadoria em 1945; Monnette manteve seu assento no conselho e posição oficial. Antes da criação do Monnette do Banco da rede America Los Angeles, a maioria dos bancos foram limitados a uma única cidade ou região. Monnette foi o primeiro a criar um sistema de processamento centralizado , contabilidade e entrega de dinheiro . Ao diversificar o âmbito da comunidade de que o Bank of America servido na sequência da sua fusão , a instituição era melhor preparado para enfrentar pequenos problemas econômicos, locais.

Giannini é creditado como o inventor de muitas práticas bancárias modernas. Mais notavelmente, Giannini foi um dos primeiros banqueiros para oferecer serviços bancários para americanos de classe média , ao invés da classe alta. Ele também foi pioneiro na estrutura de holding e estabeleceu uma das primeiras instituições transnacionais modernas.

Giannini ajudou a alimentar as indústrias de cinema e de vinho na Califórnia. Ele emprestou Walt Disney os fundos para produzir a Branca de Neve , o primeiro longa-metragem , filme de animação a ser feita em os EUA . Durante a Grande Depressão , ele comprou os títulos que financiaram a construção da ponte Golden Gate. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele bancou o industrial Henry Kaiser e seus empreendimentos de apoio ao esforço de guerra. Após a guerra, ele visitou a Itália e dispostos para os empréstimos para ajudar a reconstruir as fábricas da Fiat devastados pela guerra . Giannini também forneceu capital para William Hewlett e David Packard para ajudar a formar a Hewlett- Packard.

Giannini fundou uma outra empresa, a Transamerica Corporation, como uma holding para seus diversos interesses , incluindo Occidental Life Insurance Company . Ao mesmo tempo, Transamerica foi o acionista controlador no Bank of America. Eles foram separados por legislação aprovada pelo Congresso dos EUA em 1956, quando o Congresso aprovou a Lei Bank Holding Company, que proibiu a participação do Banco holdings ' em atividades industriais.

Após a morte de Giannini em 1949 , seu filho Mario Giannini assumiu a liderança do banco. A filha de Giannini , Claire Hoffman Giannini (1905-1997) , assumiu o assento de seu pai a bordo do banco de administração, onde permaneceu até 1980. Giannini é enterrado no cemitério Holy Cross , em Colma , Califórnia .

A grande praça do Bank of America Building, na California Street e Kearny, no centro de San Francisco, é nomeado para Giannini . AP Giannini Middle School , que foi inaugurado no distrito do por do sol de San Francisco, em 1954, é nomeado após ele , também . [4] Outros lugares e grupos nomeados após Giannini incluem a Fundação Giannini de Economia Agrícola e do prédio que abriga o Departamento de Agricultural and Resource Economics , da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O Serviço Postal dos EUA honrado contribuições de Giannini ao bancário americano através da emissão de um selo postal 21 ¢ levando o seu retrato, em 1973. Uma cerimônia para marcar a ocasião foi realizada perto de sua antiga casa , em San Mateo.

A revista Time nomeou Giannini um dos " construtores e titãs" do século 20 . Ele foi o único banqueiro nomeado para o Time 100 , uma lista das pessoas mais importantes desse século, como montado pela revista .

Presidente do banco de Walter Huston em 1932 o filme de Frank Capra, Loucura Americana , foi baseada em grande parte em Giannini . [ Carece de fontes? ]

O banqueiro ítalo-americano interpretado por Edward G. Robinson em House of Strangers (1949) , também foi vagamente baseado no Giannini .

Revista American Banker reconheceu-o como um dos cinco banqueiros mais influentes do século 20. [ Carece de fontes? ]

Em 2004 , o governo italiano homenageado Giannini com uma exposição e cerimônia em seu Parlamento , para marcar o centenário de sua fundação do Banco da Itália. A exposição foi o resultado da colaboração do Ministério da Fazenda, o Smithsonian Institution , Italiano Professor Guido Crapanzano e Peter F. De Nicola , um colecionador americano de memorabilia Giannini . [ Carece de fontes? ]

Em 2010, Giannini foi introduzido no Hall da Fama da Califórnia .