domingo, 21 de dezembro de 2014

Crises e oportunidades

Sempre vamos ter crises e o mercado financeiro brasileiro não é diferente, pelo contrário, vivemos crises institucionais, de empresas, de energia e da própria corrupção como o atual da Petrobras. 

Abaixo uma matéria interessante sobre um americano que soube aproveitar as oportunidades na crise do subprime americano e como podemos tentar usar esse mecanismo em nossos investimentos. 

O QUE DIFERENCIA UMsimples gestor de fundos de um gênio das finanças? Muitos conseguem enxergar longe e ver o que os outros ignoram - mas nem todos ficam bilionários com isso. Um financista genial vai além da antecipação dos fatos. Aposta pesado em suas crenças, mesmo que esteja nadando sozinho contra a corrente, e ganha dinheiro por várias gerações. Warren Buffett tornou-se o homem mais rico do mundo de forma conservadora, comprando ações baratas e acreditando no crescimento das empresas. George Soros fez fortuna com apostas ousadas contra países inteiros, como a Inglaterra em 1992 e a Malásia em 1997. Os dois são os maiores ícones do mercado financeiro do final do século XX. Pois o terceiro milênio mal começou e o novo gênio de Wall Street já apareceu: é John Paulson, um nova-iorquino do Queens. Aos 53 anos, ele fez história ao ganhar pessoalmente US$ 3,7 bilhões na crise do subprime.

Enquanto milhões de americanos perdiam suas casas, bancos iam à falência, empresas demitiam e o governo dos EUA procurava uma saída para a crise dos empréstimos imobiliários de alto risco (o chamado subprime), Paulson contabilizava os lucros astronômicos de seus fundos de hedge. Um deles, o Credit Fund, ganhou 590% em 2007. O outro, 353%. Suas apostas no pior cenário possível renderam US$ 15 bilhões e ele embolsou 25% desse lucro. Nem George Soros, que tinha faturado US$ 1 bilhão apostando contra a libra esterlina, tinha ido tão longe. Odiado por alguns ativistas americanos, que consideraram seus ganhos imorais, Paulson passou a ser admirado e amado por investidores do mundo todo e, no ano passado, sua empresa de fundos alcançou o patrimônio de US$ 36 bilhões sob gestão, um dos maiores do setor. Nada mal para quem deixou um emprego de banqueiro de investimentos no Bear Stearns, com US$ 2 milhões no bolso, e montou seu próprio fundo, 15 anos atrás. De junho de 1994 a setembro de 2008, US$ 100 investidos na carteira de Paulson viraram US$ 946, duas vezes e meia o desempenho do índice de hedge funds e quase três vezes a valorização do índice S&P 500.

Paulson não foi o único a prever a falência do mercado financeiro americano, catástrofe anunciada e trombeteada aos quatro cantos por gente como o economista Nouriel Roubini. Mas ele foi o que mais acreditou em suas profecias apocalípticas e tirou o maior proveito delas. Como? Ele anteviu os efeitos devastadores do subprime em 2005 e teve coragem e paciência para apostar continuamente na baixa das ações dos bancos mais ativos nesse mercado. Enquanto as multidões acreditavam nos lucros insustentáveis de nomes como Merrill Lynch, Citigroup e UBS, comprando suas ações para vender na alta, Paulson operava pesado na direção contrária. Vendia ações a descoberto, ou seja, alugava esses papéis e os revendia no mercado a vista, por preços elevados. Se estivesse certo, pagaria menos na hora de recomprá-los para devolver aos donos. Foi o que aconteceu, em escalas inimagináveis pelos mortais, no final do ano passado.

Antes do estouro da bolha, em outubro de 2008, ele focava suas estratégias nas instituições mais alavancadas nesse mercado de alto risco, como Lehman Brothers, Bear Stearns, Wachovia e Washington Mutual. Todos tombaram. A ação do Bear Stearns, por exemplo, despencou de US$ 80 para US$ 2. Além de vender a descoberto, Paulson também fez operações com derivativos de crédito. Em uma delas, sempre apostando nos calotes, investiu US$ 22 milhões em credit default swaps e recebeu de volta pouco mais de US$ 1 bilhão. De fala mansa, o gênio ganha dinheiro desde a infância. Incentivado pelo avô, o banqueiro Arthur Boklan, ele comprava doces no supermercado para revender aos colegas do Queens. Hoje, o bilionário prevê que dias piores virão. "Ainda teremos um longo caminho pela frente até atingirmos o fundo do poço", afirmou este mês à revista Portfolio, em rara entrevista. Alguém duvida?

fonte: http://www.terra.com.br/istoedinheiro-temp/edicoes/593/imprime125933.htm

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