domingo, 22 de fevereiro de 2015

Conta de luz pode subir até 70% no Rio e em SP

Conta de luz pode subir até 70% no Rio e em SP e a Eletropaulo será que vai se recuperar? 

Conta de luz pode subir até 70% no Rio e em SP
Consumidores se adaptam para driblar alta de tarifas
POR BRUNO ROSA E ANDREA FREITAS
22/02/2015 6:00 / ATUALIZADO 22/02/2015 11:35
PUBLICIDADE


RIO - As contas de luz espantaram o consumidor este mês. Além do aumento do consumo por causa do uso do ar-condicionado para enfrentar o verão, a cobrança já inclui a bandeira tarifária, que gera um custo extra de R$ 0,03 a cada quilowatt-hora (kWh) consumido. E o valor a ser pago em fevereiro é apenas o presságio de um cenário ainda pior até o fim do ano. De acordo com consultorias do setor, quem mora no Rio de Janeiro e em São Paulo vai sofrer com uma alta de até 70% na conta da energia elétrica até dezembro. A estimativa é quase três vezes maior do que a projetada no último trimestre do ano passado, quando especialistas falavam em preços 25% mais salgados em 2015. Além da falta de chuvas e do uso da energia mais cara das termelétricas, o Sudeste vai arcar ainda com a tarifa maior de Itaipu, diante da forte alta do dólar.

VEJA TAMBÉM
INFOGRÁFICO O que verificar na fatura de luz
Alta da energia elétrica será vilã da meta de inflação este ano
Reduzir consumo será mais difícil que em 2001
Este mês, as contas no Rio já chegaram mais caras, com o reflexo do reajuste da Light, de 19,11% em novembro, e da implantação do sistema de bandeiras tarifárias, que começou a valer este ano e repassa ao consumidor o aumento no custo na geração de energia. Desde janeiro, foi adotada a bandeira vermelha, que indica um custo mais alto devido ao baixo volume de chuvas. A fatura de fevereiro já reflete esta cobrança integralmente. Por isso, o susto ao receber a conta de luz. Aos consumidores, a alternativa foi mudar hábitos para driblar os preços mais elevados.

AR-CONDICIONADO NO SHOPPING

É o que fizeram Karoline Cabral e Leonardo Spinola. O casal mora em um apartamento de dois quartos em Botafogo e passa o dia fora de casa, trabalhando. O susto foi grande quando a conta mais do que quintuplicou, saltando de R$ 53,68 em dezembro para R$ 291,58 em janeiro.

— Em janeiro, ligamos o ar uns 15 dias, à noite. Geralmente, minha conta custa R$ 40, R$ 60. Esperava pagar até R$ 200 por causa do ar. Mas a conta foi de R$ 291,58! Agora, a gente tem que pensar muito antes de ligá-lo. No nosso apartamento, bate sol da tarde. No fim de semana, vamos ao shopping, ao cinema, a lugares climatizados, saímos de casa para não ligar o ar — conta Karoline.

Nesse cenário, mesmo quem não tem o hábito de verificar o extrato mensal da conta de luz se assustou com o valor pago. Nas redes sociais, são frequentes as reclamações sobre o aumento do preço. Em geral, as pessoas sabem que a luz está mais cara, mas não entendem a cobrança e desconhecem a bandeira tarifária. E para gastar menos vale tudo: colocar a família para dormir num só quarto e ligar apenas um ar-condicionado, reduzir o uso do ferro elétrico e da máquina de lavar, trocar lâmpadas e até tomar banho frio.


A artesã Flavia Tadic mora com a irmã e a filha de 6 anos em uma casa de três quartos no Recreio. E nunca verificava a conta. Mas ficou chocada ao notar que a cobrança em débito automático passou de R$ 470,54 em janeiro para R$ 825,02 em fevereiro. Para evitar que a próxima conta seja tão alta, Flavia, que trabalha em casa, já mudou alguns hábitos. Mas acha que não há como reduzir muito mais:

— Antes, trabalhava com o ar-condicionado ligado. Agora, comprei um ventilador do tipo torre. Todas as luzes são fluorescentes ou de LED, as da parte externa só acendem quando está escuro. A roupa era passada três vezes por semana, agora, só uma. Mas não abro mão do ar-condicionado para dormir. Já mudei o que podia mudar. Acho que a única coisa que dá para fazer é desligar um boiler.

Flavia ressalta que os aumentos sucessivos, como a inclusão da bandeira tarifária e sua rápida elevação, dificultam o controle do consumo e a mudança de hábitos, já que a conta continua subindo.

PUBLICIDADE


A conta de luz do ator Gerson Ferreira, que geralmente é de R$ 400, ultrapassou R$ 800 em janeiro. Além de reduzir o uso do ar-condicionado, ele, a mãe e os dois irmãos descartaram um dos dois interruptores da sala, diminuindo o número de lâmpadas utilizadas. Também abriram mão do banho quente e diminuíram o uso da bomba da piscina.

Mas a forte alta na fatura de energia já verificada pelos consumidores é só o começo. O reajuste concedido às empresas nos últimos meses e a implantação do sistema de bandeiras tarifárias não foram suficientes para cobrir o rombo das distribuidoras, dizem as consultorias Safira, Thymos e Andrade & Canellas. Por isso, a partir do próximo mês, o valor da bandeira tarifária passará de R$ 0,03 para R$ 0,055 por kWh consumido. Na próxima semana, o governo vai definir os valores de reajustes extraordinários a serem concedidos às empresas e que devem começar a valer em março. Especialistas acreditam que o aumento extra será de, ao menos, 20%.

— Somando esses fatores, consumidores de estados da Região Sudeste, como Rio e São Paulo, terão um aumento até o fim deste ano entre 60% e 70% nas contas de luz em relação ao fim de 2014. No Brasil, a alta média deve oscilar de 45% a 50%. O Sudeste vai sofrer impacto maior porque, além da falta de chuvas e da geração de energia mais cara das termelétricas, a região recebe energia da usina de Itaipu, que, por causa da alta do dólar, teve aumento de 46% na tarifa no mês passado. Enquanto isso, a demanda por energia continua elevada, sobretudo, entre consumidores residenciais e comerciais — diz Ricardo Savoia, diretor da Thymos Energia.

FAIXA DE CONSUMO AFETA PREÇOS

Andre Crisafulli, presidente da Andrade & Canellas Energia, também reforça que o preço da eletricidade em Rio e São Paulo subirá entre 60% e 70% no ano. Ele diz que, apesar do aumento da energia que vem de Itaipu ser um agravante, a alta de 83% no valor da bandeira tarifária será mais prejudicial.

VEJA TAMBÉM
Você pergunta, nós respondemos: crise energética
Como driblar a alta da tarifa de energia
INFOGRÁFICO O caminho para poupar quase 50% por mês
Um atraso de R$ 4,9 bi: consumidor paga por energia de linha que não é usada
— Em relação aos reajustes extraordinários, vamos ter que aguardar como será feito o repasse desses aumentos. O governo deve informar os detalhes apenas na próxima semana. Na atual situação do setor elétrico, não há mais mecanismo que não seja repassar as altas para as tarifas, já que o governo não fará mais aportes via Tesouro — diz Crisafulli.

Segundo especialistas, o total do socorro às empresas do setor já chegou a cerca de R$ 60 bilhões. Desse montante, diz o presidente da Andrade & Canellas, R$ 40 bilhões serão repassados às tarifas.

— Na média, os aumentos no país ficarão perto de 50%. Sem chuvas em um volume suficiente, 100% das termelétricas continuarão gerando energia mais cara até 2016. O governo já deveria ter pedido à população para economizar, com campanhas de conscientização — ressalta Crisafulli.

Especialistas recomendam que o consumidor verifique mensalmente a conta. Acompanhar a evolução do preço unitário do kWh ajuda a identificar a alta do custo da eletricidade. Ficar atento à faixa de consumo é importante, pois ao mudar de patamar, a alíquota de ICMS a ser paga muda, varia de isenção a 29%. No Rio, a contribuição de iluminação pública também aumenta conforme o consumo.

— É preciso que o consumidor pare para pensar no próprio consumo. O ferro de passar e o chuveiro elétrico ainda são vilões — destaca a diretora de comunicação da Ampla, Janaina Vilella.

PUBLICIDADE


Fábio Cuberos, gerente de Regulação da Safira, diz que parte dos aumentos, além dos já previstos para este ano, é reflexo de erros cometidos em 2014, como adiamento da aplicação das bandeiras tarifárias, que entrariam em vigor em janeiro do ano passado, e empréstimos às concessionárias, que já enfrentavam problemas de caixa por causa do custo das termelétricas e da energia no mercado livre.

— A bandeira tarifária, criada em 2013, levou em conta um cenário que piorou no ano passado. O governo teve que rever o valor das bandeiras. Com a revisão extraordinária das tarifas, as estimativas mudaram — diz Cuberos, destacando que prevê alta de 54,7% nos preços de energia no Sudeste.

Enquanto as projeções de alta da tarifa disparam e o consumidor tenta driblar o aumento da conta de luz, o nível dos reservatórios de hidrelétricas continua baixo, segundo o Operador Nacional do Sistema: 19,17% em Sudeste/Centro-Oeste, 16,65% no Nordeste, 48,45% no Sul e 36,97% no Norte.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/conta- ... z3SUFh0UBJ 
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

10 comentários:

  1. Como uma pessoa consegue gastar 800,00 de energia num mês? na minha casa com 3 pessoas adultas, 1 tomando banho frio, sem ar condicionado, banhos curtos menos de 10 min de chuveiro ligado, e aparelhos econômicos, gastamos 28,00 esse mês, numa capital de estado e não é tarifa social.

    ResponderExcluir
  2. Qual seu Estado? 800 foi pesado comparando com a média que esta entre 300 a 400 reais de pessoas que conheço aqui no Rio, o calor esta infernal e o ar condicionado para dormir acaba sendo uma necessidade.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aqui em Minas, sem ar condicionado, estamos gastando em torno de 180 (5 adultos e 1 bebê).

      Excluir
    2. Não tenho, aqui em Minas não precisa.

      Excluir
  3. Belo Horizonte. Olhando a conta com mais cuidado, descobri que nosso consumo aqui em casa não passa de 70 kW, menor do que 100, o que aqui em minas na área da Cemig garante isenção de ICMS na conta, logo o valor mais baixo. De toda forma já começaram a cobrar a bandeira vermelha, 1,93 na conta.
    Sem querer ser insensível, penso que o Rio sempre foi muito quente no verão, mas antes as famílias se viravam mesmo com ventilador. Ar condicionado virou moda mas também virou vilão da historia, quando a intenção é que fosse o mocinho.
    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Chuveiro sempre é o vilão. Usam máquina de lavar aí? Ferro elétrico? Minha vó usava ferro a brasa, vou fazer uma experiÊncia, rs.

      Excluir
  4. Fábio,

    Esse é o padrão PT de administração. A presidanta destruiu o setor elétrico e merecia sofrer um impeachment apenas por isso. Sobre a Eletropaulo, não sabemos o que vai acontecer, mas honestamente, eu nunca achei ela tudo isso. Tem coisa bem melhor no setor.

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim IL concordo contigo que existe mas ela certamente tem toda característica de empresa que tem chance de recuperação e aí que poderá ser uma boa oportunidade quando essa recuperação iniciar. O contrato com a GETI acaba ano que vem e ela vai ter um reajuste extraordinario esse ano, fora que ela acabou de reverter na justiça a questão dos cabos, tudo isso tem de ser analisado.

      Excluir